Conversas foto-fílmicas Helena Almeida – 25 de outubro 2018

“Helena Almeida leva a fotografia aos limites da abstração ”
Bruno Marques

No dia 25 de outubro de 2018, a obra da artista Helena Almeida (1934-2018) foi o tema da primeira conversa foto-fílmica proposta pelo Observatório em Estudos Visuais e Arqueologia dos Média (EVAM), vinculado à Universidade Nova de Lisboa, em parceria com o Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.
Em um grupo, que envolvia cerca de 50 pessoas, sob mediação de Ana Catarina Caldeira (EVAM), Joana Ascensão (realizadora e programadora da Cinemateca Portuguesa) e Bruno Marques (investigador do IHA – NOVA) resgataram elementos fundamentais da poética da artista.
Ana Catarina Caldeira, inicialmente, faz um breve histórico sobre a trajetória de formação da artista e destaca suas principais exposições, entre elas, muitas Bienais Internacionais.
Joana Ascensão conta-nos sobre o processo de criação de Helena Almeida, que foi tema do seu documentário: “Pintura Habitada” (2006), realizado ao longo de 3 anos, ganhador do Grande Prémio para o Melhor Documentário Português de Longa-Metragem, do Festival DocLisboa 2006. O documentário de Joana dá visibilidade ao processo de trabalho e aos desenhos de Helena, que envolviam o planejamento da obra. A partir do filme, esses desenhos, até então privados, foram expostos ao grande público. Bruno Marques analisa a capacidade de desvio que a obra de Helena Almeida ocupa no cenário nacional e internacional, ancorada nos princípios da arte contemporânea, que se fortaleciam nos anos 1960 e 1970. A densidade da obra da artista envolve a relação entre desenho, performance, fotografia e pintura, ainda que a artista se afirme pintora. Bruno destaca a influência do artista Lúcio Fontana na arte de Helena e a capacidade de transgressão com a planaridade da tela. Nesse sentido, sua obra pode ser considerada uma anti-pintura, de cunho sobretudo conceitual. Seu trabalho envolve o próprio corpo, eterniza o instante do gesto e suas micronarrativas, as quais jogam com o real e o ficcional. A pintura torna-se sujeito, regula as relações prévias, bem como a escolha das imagens e conclui, como ato final, a obra. Em um universo de mistério, vontade de conhecer e sair dos limites, Helena Almeida apresenta-nos momentos específicos e densos.
A conversa foto-fílmica sobre a obra de Helena Almeida, possivelmente o primeiro momento de debate público sobre sua obra, após seu recente falecimento, presta uma homenagem a essa brilhante artista portuguesa, que nos brinda e nos interroga com sua arte hibrida e enigmática.
Ana Lúcia Mandelli de Marsillac (EVAM)

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Ana Lúcia Mandelli de Marsillac

2018-10-30T15:04:26+00:00Outubro 26th, 2018|Categories: ICNOVAEventos|