Ana Gandum na International Conference on Stereo & Immersive Media 2018

A investigadora do ICNOVA participará  de 28 a 30 de Junho na International Conference on “Stereo & Immersive Media 2018”, com uma comunicação intitulada “Recordações fotográficas: missivas fotográficas entre Portugal e Brasil”.

 

RESUMO: A presente proposta centra-se na noção de recordação fotográfica e decorre de uma pesquisa de fotografias que circularam na correspondência de portugueses migrados no Brasil com familiares e amigos em Portugal. A partir de missivas fotográficas encontradas e postas em discurso em casas de emigrantes portugueses no Brasil, de seus familiares e descendentes em Portugal e, inclusivamente, em arquivos institucionais, tentaremos reflectir sobre a complexa relação entre médium fotográfico, memória e temporalidade.

Se uma visão ‘realista’ do médium pode ter defendido a sua transparência enquanto meio mnemónico e forma de congelamento de um instante no passado, pelo menos desde a publicação de A Câmara Clara de Roland Barthes que a fotografia é encarada como meio espectral de um ‘isto-foi’; um meio que tende a substituir-se à memória mais do que a viabilizar o acesso à mesma. A força e dissimulação retórica da imagem fotográfica como meio aparente de vinculação e acesso a uma memória viva e como meio formador de uma ‘pós-memória’, tem sido ainda uma temática correntemente abordado pelas teorias da imagem dos últimos quinze ou vinte anos (por Marianne Hirsch, por exemplo).

Já sob a inspiração de Walter Benjamin, o historiador brasileiro Maurício Lissovsky defende que a relação entre tempo e fotografia rejeita a imobilização da imagem no passado, sendo indissociável, no acto fotográfico e na tentativa de devir do instante, uma relação com o futuro que nos interpela no ‘agora’.

Em suma, a partir do étimo da palavra recordação e de um processo de observação-participante de análise de materiais vernaculares, tentaremos de uma outra forma propor que a fotografia, na sua densidade mnemónico-temporal, pode, enquanto missiva, enquanto comunicação à distância, tentar agenciar um tempo virtual e uma memória prospectiva assentes num gesto de partilha afectiva.

2018-06-01T17:11:08+00:00Junho 1st, 2018|Categories: ICNOVANotícias|