Cláudia Madeira na EASTAP Conference

A docente do departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH e investigadora do ICNOVA apresenta na II EASTAP Conference (European Association for the Study of Theatre and Performance), que decorre na Universidade de Lisboa e Teatro Nacional D. Maria II, de dias 23 a 25 de setembro, uma comunicação sobre O Teatro da Memória: As Políticas da Memória nas sociedades actuais e novas formas teatrais.

Resumo:

 “Theatre of a (Read)Gone Man: Critical and Theatrical Metafiction 1954-2005” by Ernesto de Melo e Castro

 – A dramaturgy of resistance and (counter-) historical memory

Teatro de um Homem (L)ido (Theatre of a (Read)Gone Man) is unique in enabling us to read theatre texts conceived by Ernesto de Melo e Castro, a writer never known as a playwright and whose texts were never performed on stage during the period in which they were written, due to the censorship in practice during the Estado Novoregime in Portugal.

In this book, published by the Portuguese Society of Authors in 2005, proposed and at the invitation of Francisco Luiz Rebello, Melo e Castro analyzes, retrospectively and critically, these texts written in 1954.

His analysis produces a metadiscourse or, in the author’s words, a “critical and theatrical metafiction” on the historical time and context, and the constraints then curtailing artistic creation and freedom of expression.

Official censorship and the subsequent self-censorship of his theatrical work led Melo e Castro to turn to artistic fields less exposed to the regime’s vigilance, such as visual and experimental poetry. He gradually moved towards performance / happenings, distancing himself from the theatre to the point of presenting his theatrical texts under a pseudonym. Through the analysis of his book and with the support of interviews carried out with the author, this paper intends to reflect on how censorship affected a body of work that ended up in the “drawer” for more than fifty years. It also explores the repercussions on the life and artistic trajectory of its author, producing a “dramaturgy of resistance” that can still operate actively in the production of memories and counter-memories in our contemporaneity.

“Teatro de um Homem (L)ido: Metaficção Crítica e Teatral 1954-2005” de Ernesto de Melo e Castro

 – Uma dramaturgia da resistência e da (contra-)memória histórica

O livro “Teatro de um Homem (L)ido” apresenta-se com a singularidade de nos dar a ler textos de teatro concebidos por Ernesto de Melo e Castro, escritor nunca conhecido como dramaturgo e textos nunca levados a cena no período histórico da sua criação, devido à censura aos espetáculos existente durante o regime do Estado Novo em Portugal.

Neste livro publicado pela Sociedade Portuguesa de Autores em 2005, sob proposta e convite de Francisco Luiz Rebello, Melo e Castro analisa de forma retrospectiva e crítica esses textos escritos em 1954.

Esta análise produz um meta-discurso, ou nas palavras do autor uma “metaficção crítica e teatral” sobre o tempo e contexto histórico e os seus condicionalismos que cerceavam a criação artística e a liberdade de expressão.

A censura e posterior auto-censura ao seu trabalho de foro teatral levou a que Melo e Castro desviasse o seu percurso para campos artísticos menos expostos à vigilância do regime, como a poesia visual e experimental, com a sua deriva para a performance / happening, distanciando-se assim, desse campo ao ponto de apresentar os seus textos teatrais sob pseudónimo. Através da análise do seu livro e com o apoio em entrevistas levadas a cabo com o autor esta comunicação pretende reflectir sobre os efeitos da censura numa obra que acabou por ficar na “gaveta” durante mais de cinquenta anos, e que teve reflexos na vida e percurso artístico do seu autor, produzindo uma “dramaturgia da resistência” que pode ainda operar activamente na produção de memórias e contra-memórias na nossa contemporaneidade.

2019-09-02T22:23:52+00:00