Leonor Areal no Encontro Internacional O Cinema e as outras Artes

A investigadora do ICNOVA, Leonor Areal, apresentou no passado dia 29 de outubro, na quarta edição do Encontro Internacional O Cinema e as outras Artes, a comunicação “O cinema nas margens do surrealismo”.

O evento decorreu entre 29 e 31 de outubro de 2019, na Universidade da Beira Interior.

Mais info: http://labcom-ifp.ubi.pt/files/ocinemaeasoutrasartes/

Resumo

Desde os seus primórdios, o cinema deu espaço a variadas manifestações do surreal que, emergindo do subconsciente, se anuncia pela presença avassaladora das imagens que perturbam a ordem do mundo. Talvez porque, como afirma Ado Kyrou, “o cinema é de essência surrealista” e nele se revelem sumamente a dimensão onírica e o “conteúdo latente” do real, ou seja, o surreal. Todavia são mais raros os filmes que se assumem integralmente como surrealistas, inserindose no movimento artístico que desde os anos 20 assentou centralmente nas artes plásticas e na poesia. Richter, Buñuel, Storck, Man Ray, Cocteau são exemplos bem conhecidos, entre muitos outros. Na pequena cinematografia portuguesa, encontramos algumas surpresas desse obscuro desejo subversivo (em António Reis, António Campos, Fernando Lopes, João César Monteiro; embora estes autores não tenham assumido tal intenção). Mas o cinema irrompeu também nas margens do movimento surrealista, de forma experimental, em formato amador (8 mm) de curta-metragem. O pintor Carlos Calvet (participante em 1949 na exposição do grupo “Os Surrealistas”) realizou nos anos 60 alguns pequenos filmes “experimentais”, dos quais o mais conhecido – “Momentos na vida do poeta” (1964, 10′, insonoro) – é incarnado por Mário Cesariny de Vasconcelos. Aqui o cineasta-poeta dá vida ao insólito quotidiano, explorando a latência das imagens diante da opacidade do mundo real, as dimensões paralelas do imaginário, o ilogismo da narrativa, o “cadavre-exquis”, entre outros recursos ilusivos. É um cinema marginal: quase não visto, feito para usufruto íntimo entre amigos; e que apenas veio à luz muitos anos mais tarde. Palavras-chave: cinema experimental, cinema invisível, surrealismo, Calvet, Cesariny Leonor Areal tem trabalhado na convergência interdisciplinar das áreas de Literatura, Comunicação, Educação e Cinema. No âmbito do mestrado em Comunicação Educacional Multimedia (Universidade Aberta, 1997), concebeu software educacional actualmente vertido no duplo portal arquivopessoa.net/multipessoa.net. Em 2009, concluiu doutoramento em cinema, na FCSH-NOVA, com a tese intitulada “Um País Imaginado – Ficções do real no cinema português”, publicada em 2011. Como bolseira da FCT, desenvolveu investigação de pós-doutoramento sobre censura ao cinema português. Desde 2009, é professora-adjunta convidada na ESAD-CR, Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, Instituto Politécnico de Leiria. Realizou diversos documentários, sendo o último “Nasci com a Trovoada – Autobiografia póstuma de um cineasta” (2017) sobre Manuel Guimarães

2019-11-11T15:57:47+00:00