Disponível online o e-book Demasiado velho para o digital?, de Celiana Azevedo

Já se encontra online o e-book Demasiado velho para o digital? Envelhecimento ativo e os usos das TIC por pessoas mais velhas no Brasil e em Portugal, da autoria de Celiana Azevedo.

De acordo com o investigadora do ICNOVA, esta investigação “dá um contributo científico no campo das Ciências da Comunicação ao abordar idosos e as suas relações sociais e comunicacionais através das tecnologias de informação e comunicação. Podemos afirmar que a nossa maior contribuição para futuros trabalhos é reforçar que o envelhecimento da população e o uso das tecnologias digitais fazem parte de um processo em desenvolvimento e que para tentar compreender a sua natureza complexa as pesquisas devem ser abrangentes tanto quanto possível. Não se pode compreender a relação entre idoso e as TIC separadamente de experiências e processos desenvolvidos ao longo da vida, mas sim como parte uma dimensão da estrutura social e do comportamento da pessoa idosa dentro do ambiente em que vive.

Para além disso, esta investigação relevou que deve-se ter em conta as exigências de fatores interligados: o fosso digital em constante transformação no acesso, no uso e na literacia mediática entre os idosos e o resto da população; diferentes sistemas de mídia que mudam rapidamente modificando o comportamento e os hábitos dos usuários; dinâmicas demográficas, tais como a entrada da geração “boomers” na categoria de idoso e os seus efeitos de “coorte” sobre valores e estilo de vida; uma maior longevidade que faz com que três ou mais gerações na família convivam e estabeleçam novos tipos de relações intergeracionais; e ainda políticas públicas e estratégias de marketing dirigidas às pessoas idosas devido à sua crescente capacidade de atração como metas comerciais.
Esses fatores relacionados ajudam a contrariar o senso comum que estabelece que, muitas vezes, a população mais velha é vista como homogênea quanto à utilização das TIC, mas apresenta uma diversidade de atividades o que reivindica uma mudança de paradigma para o chamado age heterogenity. Mesmo sabendo que essa tarefa nunca é simples de executar, entender e explicar fazendo com que uma interpretação fácil sobre a relação entre idosos e TIC seja impossível de ser formulada, interrelacionar os aspectos que rejeitam a ideia de homogeneidade é um compromisso teórico que ajuda a explorar a diversidade em que a população mais idosa experiência ou não o uso das TIC e de que formas é afetada e afeta essa experiência.”

2020-04-07T16:00:53+00:00