Constelações em Rede: Entrevista a José Bragança de Miranda

A revista Interact de novembro tem uma entrevista ao docente do departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH e investigador do  ICNOVA, realizada por Clara Gomes e Marina Magalhães, investigadoras do instituto, que reproduzimos.

Um dos principais pensadores da cultura contemporânea em Portugal, José Bragança de Miranda, vem investigando sobre as formas de pensar as novas tecnologias, o digital e as formas de acção ou activismo que se desenrolam através das redes, propondo – mais do que uma teoria única e centrada – uma forma de reflectir estes fenómenos em constelação, a partir de um conceito benjamiano de inspiração platónica (vide «A constelação como método do contemporâneo» in Netativismo, Edições Universitárias Lusófonas, 2017).
José Bragança de Miranda é doutorado em Ciências de Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, com agregação em Teoria da Cultura na mesma Universidade. Actualmente é Professor Associado do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa bem como Professor Catedrático da Universidade Lusófona. Tem leccionado nas áreas de Teoria da Cultura e das Artes Contemporâneas e Teoria dos Media e da Cibercultura.
É autor de numerosos livros e ensaios com destaque para: Analítica da Actualidade (1994, Vega), Política e Modernidade (1997, Colibri), Traços – Ensaios de Crítica da Cultura (1998, Vega), Real vs Virtual (1999, Cosmos), Teoria da Cultura (2002, Século XXI), Queda Sem Fim (2006, Vega), O Ardor da Arte (2006, Caminho), Envios – Uma Experimentação Filosófica na Internet (2008, Vega), Activismo em rede, globalização e transdução (2010, Edições Universitárias Lusófonas) e Corpo e Imagem (2017, Nova Vega).

Entrevista a José Bragança de Miranda

Constelações em Rede

Entrevista concebida por Clara Gomes e Marina Magalhães. Conduzida e registada por Clara Gomes.

Clara Gomes (CG): Como se aplica a constelação – enquanto método de análise da cultura contemporânea – ao netactivismo?

Marina Magalhães (MM): Declarou que, por um lado, somos confrontados com uma empiricidade selvagem de fenómenos, imagens, algoritmos e leis. Por outro, com uma profusão de tipologias que tentam esclarecer a questão desse espaço reticular, mas que a acabam confundindo. Porque é que isso acontece?


(CG)
: Terá o activismo dos dias de hoje, sobretudo aquele que se desenvolve através das redes digitais, uma qualidade estética e mesmo performática?

 

(CG): Contribuirá este artivismo que surge nas redes para uma geoestética? Como?

 

(MM): A energia humana começou a ser substituída pelas energias mecânicas no auge da Revolução Industrial e, segundo afirmou, o mesmo estaria a ocorrer ao nível cognitivo, através do incremento das tecnologias inteligentes e dos algoritmos, como uma espécie de «upload da consciência para as redes, tornando-se o corpo em pura informação e inteiramente reversível» (MIRANDA, 2010). Como pode o conceito de transdução ajudar-nos a compreender as novas relações entre o corpo e as tecnologias na era das redes?

(CG): Será que existe uma ligação entre netactivismo e uma crescente consciencialização ecológica, sobretudo no que diz respeito à urgência climática?

2020-04-07T16:00:13+00:00