Daniel Marques (UFBA/UFRJ) no Seminário Permanente do GI P&C

“Vagabundos, vadios e malandros: estratégias de inserção social e artística em uma longa caminhada marginal” é o tema do próximo Seminário Permanente do GI Performance & Cognição, com Daniel Marques, marcado para o dia 5 de dezembro, das 16h00 às 18h00, na Sala T13, torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A palestra pretende discutir as figuras de uma tipologia malandra, percebendo as estratégias de aproximação e tentativas de pertencimento social a que atores e atrizes tiveram que recorrer através da História, a composição de tipos cómicos como espelhos deste ideário preconceituoso, intuindo nestas estratégias modos de ação insubmissos e de outras ordens de pertencimento. A profissionalização dos artistas itinerantes que vagavam durante a Idade Média – e que, por isso, exerciam importante papel cultural ao transitar entre os espaços aristocráticos e populares, ao mesclar o registo sagrado com o profano – foi resultado de um longo processo oriundo da vagabundagem. Deste caldeirão cultural, feito de estratégias transversais de sobrevivência, é oriundo o tipo cómico do malandro, que passa a integrar repertórios de atuação, fazendo diálogo com as estratégias de penetração da classe artística na sociedade dita séria e estabelecida em oposição a um mundo sem juízo e errante. Neste momento atual de ataques à classe artística é importante recordar esta trajetória, refazer esse itinerário, pois esta foi uma lenta caminhada, ladeada por poéticas amorais de personificações sem dignidade. Porque de pelintras e pilantras, de errantes e excluídos também é feita esta classe a que pertencemos.

Daniel Marques é diretor teatral formado pela UNIRIO, onde fez seu Mestrado e Doutorado. É, ainda, Pós-Doutor em Artes pela UNESP. É professor da Escola de Teatro da UFBA, em Salvador, mas atualmente leciona, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica UFBA-UFRJ, no Curso de Direção Teatral e no PPGAC da Escola de Comunicação da UFRJ. Foi coordenador do Grupo de Trabalho História das Artes do Espetáculo da ABRACE e é membro do Grupo de Pesquisa O Circo e o Riso. Como diretor tem escolhido textos da dramaturgia brasileira, sempre trabalhando uma relação da cena com a música. Em 2008 encenou Uma por Outra – histórias de Artur Azevedo, espetáculo que participou do Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia, FILTE, em sua edição de 2009. Em 2013, no Rio de Janeiro, fez uma releitura de A Greve do Sexo de Aristófanes, transformado por sua direção em Teatro de Revista. Tem se dedicada recentemente a investigar uma cena bilíngue, em que atores surdos e ouvintes trabalhem juntos, em LIBRAS e em língua portuguesa. Dessa pesquisa, com o coletivo Palavras Visíveis, resultaram SARAU, com micro contos de O Livro dos Abraços de Eduardo Galeano e Romeu e Julieta em Palavras Visíveis, adaptação do clássico shakespeariano.

2020-04-06T19:54:46+00:00