Maratona de Procrastinação (noutros termos): Episódio #3 – Vera Mantero + Peter Michael Dietz

Já está disponível online, o terceiro episódio de uma série de oito entrevistas que substituem a Maratona de Procrastinação. A autora chamou-lhe “Maratona de Procrastinação noutros termos”, querendo dizer “maratona adaptada para condições covid”…

A “maratona de procrastinação”, uma parte do projeto Escola da Procrastinação, de Sílvia Pinto Coelho, com a colaboração de Lília Mestre, seria um encontro duracional, ao ar livre, no dia 7 de junho de 2020, no Jardim Botânico de Lisboa.

A pandemia obrigou à redefinição do projeto e esta série de oito entrevistas que apresentamos em quatro episódios, com alguns dos possíveis convidados para a maratona de procrastinação, foi pensada como compromisso entre: um encontro em presença física, e a distância de segurança a que a lei e o bom-senso nos obrigaram.

As entrevistas são todas feitas ao ar livre e a mais de dois metros de cada entrevistado, exceto a conversa em vídeoconferência com Mark Tompkins, a partir de sua casa, em Paris.

«Ao propor uma “maratona de procrastinação” quisemos fazer ressoar um passado de encontros quase todos relacionados com eventos de dança nos anos 1990, no lastro do êxito social das jams de contacto improvisação. A palavra “maratona” pretende recuperar a memória das “maratonas” e dos “manifestos para a dança” (Lisboa 1992, 1993, 2000). “Procrastinação” refere-se, simultaneamente, à vontade de protelar e de abrandar os modos de produção na atualidade, e à capacidade de improvisar em processos criativos. Será que as ferramentas de improvisação podem contribuir para o abrandamento dos atuais modos operativos?

Falar sobre improvisação, investigação artística e encontros públicos de artistas é complicado, mas foi justamente o desafio que encetámos com as entrevistas. Dois critérios simples estão por detrás da escolha dos entrevistados   ̶  são pessoas que, ou propuseram e organizaram encontros públicos de improvisação entre pares na área da dança e performance ao vivo, ou participaram neles enquanto improvisadores, e que  têm um discurso sobre o “encontro”, a “investigação”, a “improvisação”, a “partilha pública”, a “composição”, a “construção de comum”.

Christine de Smedt esteve envolvida na formulação e concretização de Crash Landing (1996-1999) com Meg Stuart e David Hernandez; Mark Tompkins foi proponente de: Klick Clique (1993-1995) – com David Zambrano, Sasha Waltz e Frans Poelstra -, On the Edge, 1998, En Chantiers (2001-2004) e Serious Fun (com Meg Stuart, entre outros, 2019); Vera Mantero participou em ambos os formatos de evento – Crash Landing (várias edições), On the Edge (1998) – entre muitos outros encontros (p.e. em Lisboa e Porto); João Fiadeiro proponente dos LABs da REAL (desde 1992), do Skite em Lisboa (1994), participante no On the Edge (1998), desenvolve, também, o seu método de Composição em Tempo Real (desde 1995), mostrado em público enquanto projeto Existência (2002); e Peter Michael Dietz que fluiu no panorama Europeu entre vários projetos e abordagens à dança e performance improvisada, ao vivo, com propostas suas de improvisação em público, como Viva o Momento, etc. Na geração que não passou pela euforia das jamsMárcia Lança começou com Sofia Neuparth, no Chapitô, depois desenvolveu a composição em tempo real com Fiadeiro e passou por outras abordagens num dos cursos do Forum Dança. Mariana Tengner Barros e Elizabete Francisca Santos também fizeram uma edição importante dos cursos do Forum Dança com: Deborah Hay, Lisa Nelson, Francisco Camacho, Vera Mantero, Mark Tompkins, João Fiadeiro. Ambas têm um panorama vasto das práticas de improvisação possíveis através da dança, mas desenvolveram, sobretudo, o seu encontro com Mark Tompkins e Meg Stuart que resultou na apresentação recente, em Viena, de Serious Fun (2019). Outros entrevistados ficaram na mira de uma próxima oportunidade de encontro!»

Vera Mantero

Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa e Américas. Colabora regularmente em projetos internacionais de improvisação, ao lado de improvisadores e coreógrafos como Lisa Nelson, Mark Tompkins, Meg Stuart e Steve Paxton. Em 2002 recebeu o Prémio Almada e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.

Peter Michael Dietz

Dinamarquês, residente em Lisboa desde 1993. É criador, pesquisador, bailarino, coreógrafo e professor. Estudou na European Dance Development Center (EDDC). Integrou, como performer várias companhias. Apresentou peças suas na Europa e no Brasil. Foi diretor artístico e faz parte da equipa de profissionais do c.e.m – centro em movimento, desde 1995. É professor na Escola Superior de Teatro e Cinema desde 2016. Tem desde 2018 o título de especialista em corpo/arte/teatro.

Entrevistas: Sílvia Pinto Coelho com Vera Mantero e Peter Michael Dietz
Vídeo e som: Sara Morais
Edição de Vídeo: Sara Morais e Pedro Gancho
Produção: ORG.I.A.
Produção executiva: Marta Moreira
Coprodução: Teatro do Bairro Alto
Apoio: ICNOVA, FCSH

2020-07-22T09:13:45+00:00