Chamada para contribuições INTERACT#34 // Open Call INTERACT #34

Até 4 de Dezembro de 2020
http://interact.com.pt/
Organização: Aida Castro e Maria Mire

DEAD LINK: mediações das práticas artísticas

Para esta proposta editorial da revista INTERACT – Revista Online de Arte, Cultura e Tecnologia, sugerimos como tema DEAD LINK, também vulgarmente conhecido como “broken link”. Ligações perdidas, sem ligação, links desaparecidos, acesso sem informação, perante as quais o desejo não é correspondido. 

Os endereços fantasmas podem ser problemáticos para os navegantes e os consumidores da internet, pois revelam sobretudo falhas de arquivo e obsolescências do sistema (Boris Groys). Mostram directamente os espaços ocultos, as concavidades, os buracos da rede, aproximando-nos antes de um cérebro neural onde as ligações são permanentemente perdidas. 

As sensações brutas deste colapso, transformam a navegação numa experiência iminentemente subjetiva. E tal como a perceção visual não produz sempre uma imagem óptica — mas restabelece por vezes uma memória do passado estimulada por um toque ou um gesto (Barbara Maria Stafford) — estes dead links são os pontos cegos de um armazenamento a prazo, agora perdido e só acessível pela imaginação.

Neste contexto pretendemos convocar ensaios experimentais que, através de enunciados teórico-práticos, possam elaborar respostas — tendo em conta a materialidade da própria revista — para uma “arte depois dos media” (Siegfried Zielinski) que já instalou uma anacronia dos seus media próprios. Será produtivo propor uma arqueologia baseada nas coisas que já não funcionam? Será que as ligações não correspondidas, ou dead links, para além de evidenciarem o estado tecnológico de um cérebro que debita respostas automáticas, têm a capacidade de interromper essa actividade supérflua e familiar podendo formular uma renovação do desejo? 

Gostaríamos de materializar neste número da revista algumas conexões entre gesto e digital, algumas ligações tácteis e técnicas, expandido qualquer entendimento de um gesto por defeito (template), pois nas pontas dos dedos também se escrevem e activam códigos. 

Convocamos assim à participação nas diferentes secções da revista — Ensaio, Interfaces, Laboratório ou Entrevista — através da submissão de propostas que podem assumir o formato de texto, imagem, som ou vídeo (até ao limite de 10 minutos) ou outros dispositivos imagéticos e discursivos que se adequem ao modelo desta revista nativamente online. Incentiva-se o uso das capacidades de conectividade da própria rede através de hiperligações ou outras formas de interatividade.

A submissão de cada proposta deve incluir: título, resumo entre 150 e 450 palavras, nota biográfica e indicação da secção em que se enquadra. Para a secção “Laboratório” deverá ser enviado igualmente um excerto do trabalho, ou outros materiais que documentem a proposta. As submissões devem ser realizadas até 4 de Dezembro de 2020 para o e-mail das editoras do número (modo.cruzado@gmail.com). E, se aceites para publicação, deverá ser entregue na sua versão definitiva até 1 de Fevereiro de 2021.

Cabe às editoras a decisão relativamente à publicação ou rejeição das propostas submetidas, tendo em consideração a articulação da dimensão experimental da revista com o tema proposto.

(contacto: modo.cruzado@gmail.com / https://aidacastromariamire.tumblr.com)

 

SECÇÕES

ENSAIO: O ensaio é uma secção-chave do projeto da Interact, que visa contribuir para um fortalecimento da presença do pensamento (em particular do pensamento português) nas redes de informação. Os textos para esta secção devem ter entre 4 a 5 páginas (10000 a 12500 caracteres), com uma utilização reduzida ou moderada de notas de rodapé e itálicos. Desaconselham-se também: bolds, cabeçalhos e diferenciamento de fontes por tamanhos de letra.

INTERFACES: É objetivo desta secção afrontar duas lacunas importantes da atividade contemporânea da crítica no espaço da cultura portuguesa: a presença muito insuficiente da crítica cultural especializada na Internet, aí se incluindo o comentário e a recensão, e a falta de atenção da crítica a temas e objetos provenientes da cibercultura. Têm também aqui lugar artigos de caráter mais curto e mais experimental. Os textos para esta secção devem, também, ter entre 4 a 5 páginas (10000 a 12500 caracteres), privilegiando-se o uso de elementos multimedia e ligações, e desaconselhando-se o recurso a notas de rodapé, bolds, cabeçalhos, diferenciamento de fontes por tamanhos de letra e itálicos.

LABORATÓRIO: Esta secção, concebida como mostra de trabalhos artísticos, é inteiramente livre no que respeita aos meios de expressão a utilizar (escrita, grafismo, vídeo, imagem digital, som, …), aos temas e aos géneros, incentivando-se a experimentação das características próprias das tecnologias digitais. As propostas aqui apresentadas são da inteira responsabilidade dos respetivos autores, embora a sua realização e implementação online possa resultar do trabalho conjunto com a equipa da Interact.

ENTREVISTA: A presença da cultura na Internet ao longo dos últimos anos tem mostrado que a entrevista é um dos géneros mais bem sucedidos na divulgação e no debate de ideias e na expressão do estilo próprio que faz de alguém um autor. Noutros meios, a entrevista é frequentemente uma paródia de si própria pela escrita, uma exibição menor de uma oralidade de improviso (como na rádio ou na televisão) ou um género adulterado pelo rewriting jornalístico. A natureza dos instrumentos de comunicação próprios do online oferece hoje a possibilidade de praticar a entrevista sob formas diversas e extremamente flexíveis, mesmo à distância, permitindo contribuir para a divulgação, junto de um público mais alargado, de autores de qualidade nas áreas contemporâneas do pensamento, da cultura e da arte.


Notas biográficas:

Aida Castro (Porto, 1979). Vive e trabalha entre Lisboa e Porto. Doutoramento na área Ciências da Comunicação: Comunicação e Artes, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a tese “Mapeamento do Espaço entre Arte e Ciência na Cultura Contemporânea: Ligação e Intervalo” (2019). Bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2012-2016). Investigadora no projecto: HC/0110/2009 “História da Cultura Visual da Medicina em Portugal” no Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens da FCSH.UNL, (2010-2013). Actualmente é professora Auxiliar Convidada na secção multimédia da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Membro fundador dos colectivos artísticos: Colectivo Embankment (com Maria Mire e Jonathan Saldanha) e da Plataforma Ma (com Catarina Marto e Maria Mire) nos quais desenvolveu projectos sobre as ligações técnicas e os imaginários das práticas artísticas. Artista residente do “Programa Rede de Residências: Experimentação Arte, Ciência e Tecnologia” concebido pela Direcção-Geral das Artes, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (2009-10), onde desenvolveu a pesquisa para o livro a publicar Da Resistência dos Monstros: a câmara de expurgo por anóxia. Actualmente trabalha com Maria Mire numa dupla artística. 

Maria Mire (Maputo, 1979). Vive e trabalha em Lisboa.O trabalho artístico e de investigação que desenvolve desde 2001 é sobretudo centrado nas questões da percepção da imagem em movimento. Doutorada em Arte e Design pela Faculdade de Belas Artes do Porto em 2016, com a tese “Fantasmagorias: a imagem em movimento no campo das Artes Plásticas”. Actualmente é professora e co-responsável do Departamento de Cinema/Imagem em Movimento do Ar.Co., em Lisboa. Leccionou entre 2010 e 2018 no Departamento de Multimédia da Faculdade de Belas Artes do Porto, e entre 2011 e 2015 no Curso de Comunicação Audiovisual e Multimédia da Universidade Lusófona do Porto. Integrou diversos projectos artísticos colaborativos, dos quais se destacam o Colectivo Embankment [criado em 2005, com Aida Castro e Jonathan Saldanha]; Plataforma Ma [criada em 2009, com Catarina Marto e Aida Castro]; ou Patê Filmes [criada em 2006, com Luísa Homem e Pedro Pinho]. Realizou o filme “Parto sem dor”, uma conversa imaginada com Cesina Bermudes, que integrou a selecção oficial do INIDIELISBOA 2020 e do PORTO FEMME – International Film Festival. Actualmente trabalha com Aida Castro numa dupla artística. 

2020-10-08T11:31:26+00:00