Danielle Miranda no XXII Colóquio de Outono – Populismo e suas linguagens

A doutoranda do ICNOVA proferiu no passado dia 5 de novembro a comunicação “O corpo frente ao populismo: regimes semióticos” no XXII Colóquio de Outono – Populismo e suas linguagens organizado pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho.

Programa e resumos em http://cehum.ilch.uminho.pt/xxiico


O corpo frente ao populismo: regimes semióticos. Nessa comunicação, propomos refletir sobre as instabilidades que avançam sobre a democracia – com o avanço das forças autoritárias, do populismo e do desmonte do Estado de Direito pelo mundo – e as semioses que afloram nas expressões comunicativas de movimentos ativistas que buscam, através da implicação de seus corpos, criar espaços de aparição para suas demandas, de reivindicação democrática contra múltiplas formas de opressão e que, em alguns casos, transformam o corpo na própria mensagem do protesto. Se, por um lado, no contexto de crise da democracia cresce a cooptação de estratégias semióticas e performativas de manifestação por forças hegemônicas e/ou autoritárias, passa pela compreensão dos signos e suas significações, que hoje se tornam estranhamente falseados (Malik, 2019), o esforço de diagnóstico político de nosso tempo. Entendemos que a ação performativa que instaura o corpo no político cria gramáticas e linguagens dos protestos: não transporta simplesmente sentidos, mas os institui, faz corpo e encontra visibilidade e sustentação nas dinâmicas comunicacionais. Nas manifestações contra os populismos interessa-nos, especialmente, a visibilidade do corpo ativista, que, para nós, atua em processos contínuos de semiose em conjunto com todo um regime de signos –prédios públicos; máscaras; símbolos; bandeiras e cartazes; smartphones; bombas caseiras dos black blocks; memes nas redes digitais. Seguindo a semiótica da cultura (Yuri Lotman), analisamos os corpos que se reúnem na política das ruas enquanto textos semióticos, em uma problemática comunicacional que posiciona o corpo não como veículo/medium, mas como um todo de significação. Propomos que, assim, compõem-se diferentes níveis de regimes semióticos – estéticas da violência, do anonimato, do escracho, do imediatismo, da contradição, do enfrentamento, do efêmero, entre tantas. Semioticamente, esses corpos tanto reproduzem como podem reinventar as normas dominantes para as democracias contemporâneas.

 

 

2020-11-10T15:16:03+00:00