Prazo alargado – Chamada de artigos e ensaios visuais para a RCL nº 54 (Primavera/Verão 2021) | “Mulheres nas descolonizações: modos de ver e saber”

Foi alargado até ao dia 31 janeiro de 2021 o processo de submissão de artigos para a Revista de Comunicação e Linguagens, editada por Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA — NOVA FCSH), Ana Cristina Pereira (CES – U. Coimbra) e Inês Beleza Barreiros (investigadora independente), subordinada ao tema “Mulheres nas Descolonizações: modos de ver e saber”.

No âmbito do internacionalismo que suportou as lutas de libertação em todo o mundo, as mulheres usaram a imagem – através da câmara fotográfica ou de filmar – como uma arma. De certo modo, essa prática política, engajada, foi uma resposta ao uso feito pela propaganda política, científica, económica, que sustentou a ordem e ideologia colonialistas.

Nos países de língua portuguesa, entre as mulheres que fotografaram ou fizeram filmes com propósitos políticos, destacaram-se Augusta Conchiglia, Margaret Dickinson, Ingela Romare, Sarah Maldoror e Suzanne Lipinska. Aos materiais filmados – e não apenas por mulheres – foi dado sentido pelas montadoras Jacqueline Meppiel, Cristiana Tullio-Altan ou Josefina Crato, esta última a única mulher dos quatro jovens guineenses enviados por Amílcar Cabral para estudar cinema em Cuba.

Margarida Cardoso, Pocas Pascoal, Maria João Ganga, Isabel Noronha, com as suas ficções cinematográficas; Kamy Lara, Ana Tica, Diana Andringa e Catarina Laranjeiro, através de obras documentais; Eurídice Kala, Vanessa Fernandes, Filipa César, Mónica de Miranda, Ângela Ferreira, Luciana Fina, Jota Mombaça e Grada Kilomba com os projectos, instalações, performances e criações na área das artes visuais dão hoje contributos determinantes para reflectir sobre as memórias e vivências (pós-)coloniais, modos de descolonizar o arquivo e de re-imaginar o colonialismo português e a luta contra o mesmo.

Nesta edição especial pretendemos reunir contributos para reavaliar a imaginação, pelas mulheres, do colonialismo nos países de língua portuguesa, já que raramente se incluem as suas contribuições no processo de descolonização ou o ponto de vista das mulheres envolvidas nos movimentos anticoloniais ou mesmo o das mulheres que faziam parte da estrutura da autoridade colonial. Nenhuma história da descolonização ou das praxes descolonizadoras está completa sem as mulheres. Acolhemos, nesse sentido, abordagens históricas, teóricas e também propostas artísticas, sob a forma de ensaios visuais, para analisar criticamente:

Como é que as mulheres olharam as lutas de libertação nas ex-colónias portuguesas? Como é que os seus olhares foram integrados ou não na imaginação do colonialismo? Houve um olhar específico das mulheres sobre a libertação do colonialismo português? Que saber e consciência temos de/sobre esses olhares? E como é que esses olhares se cruzam com os das realizadoras, artistas, curadoras e académicas que hoje questionam os arquivos, públicos e privados, interrogam e recriam visualmente as suas memórias e re-imaginam o colonialismo? Que acção é que a investigação académica, as políticas de conservação de arquivos, os gestos de programação e curadoria podem ter no questionamento ou, pelo contrário, no prolongamento das “políticas (oficiais) da memória”?

Os contributos podem abordar, entre outros, os seguintes tópicos:

– Mulheres nos movimentos de libertação nacional;
–  Modos coloniais de ver e saber de artistas e cientistas (passado e presente);
– Políticas sexuais e geografias da intimidade dos impérios (Stoler);
– Feminismo, nacionalismos e descolonização;
– Raça, género e sexualidade (sexualidade como instrumento de poder);
– Direitos do Homem, Direitos das mulheres;
– Exotização e emancipação dos corpos “colonizados” de mulheres;
– Mulheres realizadoras de cinema militante/cinema político;
– Re-imaginação do colonialismo e práticas artísticas;
– Modos de “descolonizar” o arquivo e a re(a)presentação do(s) corpo feminino(s) colonizado(s);
– Teorias e métodos anti-coloniais e decoloniais produzidos por mulheres.

Os artigos podem ser escritos em inglês, francês, espanhol ou português e serão submetidos a revisão cega por pares. A formatação deve ser feita em conformidade com as diretrizes de submissão da revista e a submissão feita através da plataforma OJS até 31 de Janeiro de 2021.

Para consultas, entre em contacto com as editoras Maria do Carmo Piçarra (carmoramos@gmail.com), Ana Cristina Pereira (kitty.furtado@gmail.com) e Inês Beleza Barreiros (barreiros.ines@gmail.com).

Directrizes para submissão e instruções para autores:

http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/about/submissions#onlineSubmissions

Formato dos ensaios visuais:

Até 12 páginas. O ensaio poderá ser inteiramente visual ou combinar imagem e texto; o elemento visual do ensaio deve ser parte integrante do argumento ou das ideias expressas e não servir como exemplo ou ilustração dos mesmos. A submissão deve incluir um texto introdutório (150-300 palavras) que ajude a compreender o ensaio e a sua pertinência no âmbito do tema. Deve ser dada particular atenção à paginação das imagens/textos, pelo que o ensaio deve ser acompanhado de um ficheiro PDF com paginação sugerida para 17×24,5cm e resolução de 300ppi.

(informação útil: https://catoolkit.herts.ac.uk/toolkit/the-visual-essay/)


© Augusta Conchiglia
Legenda: Augusta Conchiglia com Iko Carreira, Junho 1968, Leste de Angola

 

 

2021-01-12T14:18:26+00:00