Disponível novo número da Media & Jornalismo “Hibridismo nos media: novos géneros e formatos jornalísticos”

Acaba de ser lançado o novo número da revista Media & Jornalismo, dedicado ao tema “Hibridismo nos media: novos géneros e formatos jornalísticos” e editado por António Granado e Dora Santos Silva.

Este número da revista do ICNOVA considera que a condição de “híbrido” é indissociável do ecossistema mediático contemporâneo, porque define a fusão de linguagens, formatos, modelos e práticas. No entanto, não é novo no jornalismo. Usando um exemplo flagrante, ainda há pouco mais de 50 anos assistimos a um movimento jornalístico, impulsionado por Tom Wolfe, Gay Talese e Truman Capote, que defendia o uso de técnicas e recursos da literatura no jornalismo. Saíram deste “new journalism” ou “jornalismo literário”, algumas das reportagens e perfis de longo formato mais conhecidos, como “Frank Sinatra has a cold” (da autoria de Gay Talese, publicado na Esquire em 1966) ou “In cold blood” (de Truman Capote, publicado como uma série na The New Yorker, em 1965). Hoje, o jornalismo narrativo ainda junta estas linguagens aparentemente distintas.

A essência do hibridismo (ou hibridez) é mesmo essa: algo formado a partir de elementos diferentes; na gramática, significa uma palavra formada por elementos de línguas diferentes; na música, uma peça que une o clássico ao popular, e por aí fora.

Os sistemas mediáticos sempre foram híbridos, variando na extensão ou no tempo. É isso que Andrew Chadwick escreve no livro “The Hybrid Media System: Politics and Power” (2013), defendendo que o hibridismo é, por isso, a abordagem mais adequada para caracterizar o sistema mediático contemporâneo, permitindo-nos reconhecer a sua complexidade, fluidez e interatividade, em vez de usarmos conceitos obsoletos como novos e velhos media, que, na verdade, são interdependentes: “All older media were once newer and all newer media eventually get older. But older media on any consequence are rarely entirely dispplaced by newer media” (p. 28).

Essa combinação está na base de processos de inovação e experimentação que marcam o jornalismo a todos os níveis. Assistimos a esse novo paradigma, por exemplo, nos modelos de negócio, que combinam fontes tradicionais de receitas, como a publicidade, com outras emergentes, como o conteúdo patrocinado; no jornalismo colaborativo, no qual o cidadão tem um papel fundamental; e, claro, nos novos géneros e formatos jornalísticos.

Se anteriormente reconhecíamos facilmente no texto, no áudio, no vídeo e na imagem as plataformas correspondentes, no ambiente digital os formatos também se fundiram e deram lugar a outros difíceis de classificar. Entendendo o género jornalístico como “a classe de unidades da comunicação massiva periódica que agrupa diferentes formas e respetivas espécies de transmissão e recuperação oportuna de informações da atualidade” (Marques de Melo & Assis, 2016, p.49) e o formato jornalístico como “o feitio de construção da informação transmitida” pelos media (idem, p. 50),  estas unidades precisam, no entanto, de uma nova reflexão e mapeamento quando nos deparamos com uma crítica escrita por um leitor e não um especialista, documentários interativos, peças em realidade virtual, live-tweetings ou uma simples infografia que se assume como “o” formato jornalístico e não o medium.

Também a crescente transformação das peças jornalísticas, naquilo a que Steen Steensen (2011) apelida de uma família de géneros que partilha diferentes discursos, esbate as fronteiras entre o género opinativo e informativo, utilitário e informativo ou informativo e ativista.

Quanto ao posicionamento acerca deste tema, adoptámos aquele que Mast, Coesemans e Temmerman (2016) partilham no editorial da edição especial Hybridity and the news da revista Journalism: “A detached conception of hybridity that considers the notion to be neither inherently positive nor negative” (p.2).

A premissa que norteia esta edição é a de que o impacto do hibridismo no campos dos géneros e dos formatos jornalísticos é inegável, é própria do processo de inovação e experimentação que caracteriza o jornalismo e exige um olhar mais aprofundado para o qual os nove artigos deste número temático dão um contributo.

Aceda à revista aqui.
2021-04-20T10:11:40+00:00