Nova publicação: “Imagens&Arquivos: Fotografia e Filmes”

As edições ICNOVA acabam de publicar o livro Imagens&Arquivos: Fotografia e Filmes organizado pelas investigadoras do ICNOVA Teresa Mendes Flores e Soraya Vasconcelos, e pelo investigador Sílvio Marcus de Souza Correa da Universidade Federal de Santa Catarina, no âmbito do projeto de investigação Photo Impulse.

O livro reune textos e ensaios visuais sobre diversos aspetos das relações entre imagens fotográficas e fílmicas e os arquivos, privados ou públicos, com abordagens académicas e artísticas de diversas disciplinas. As temáticas mais presentes são o pensamento arquival (John Tagg), a importância da materialidade nas abordagens das imagens e, em especial, nos processos de digitalização dos arquivos (Elizabeth Edwards) e diversas temáticas ligadas à história da cultura visual do colonialismo, com destaque para o caso português.

Um dos primeiros temas transversais é a guerra: as imagens de conflitos e os seus modos de apresentação e construção da história pública e de um espaço público visual (Ana Maria Maud), os espaços de memória sobre a “guerra colonial” portuguesa, criados pela partilha de fotografias de ex-combatentes portugueses (Maria José Lobo Antunes e Daniel Barroca) e angolanos, neste caso, vistos por um cineasta italiano (Giulia Strippoli). De algum modo, consequência destas histórias, as histórias da diáspora africana contadas pelo imaginário dos seus protagonistas atuais (Sofia Yala Rodrigues).

Outras histórias visuais do colonialismo estão presentes em trabalhos sobre os trajetos históricos de diversas imagens (Sílvio Marcus de Souza Correa), na afirmação da antropologia como ciência colonial (Marcus Oliveira), nos álbuns fotográficos dos arquivos de fronteiras (Teresa Mendes Flores) e em álbuns de viagens (Marina Feldhues), em propostas de leituras mais completas e críticas, como é o caso, também, das abordagens à obra fílmica de Ruy Cinatti em Timor (Maria do Carmo Piçarra), e às obras das artistas contemporâneas Filipa César e Ângela Ferreira (Sara Castelo Branco). A problemática do arquivo das artes performativas, com reativações contemporâneas que, em vários aspetos, também cruzam a temática colonial e pós-colonial (Cláudia Madeira), a proposta afirmativa de uma arquitetura senegalesa sagrada (Allen F. Roberts e Mary N. Roberts), e os testemunhos visuais dos modos da vida quotidiana da cidade de Leiria, na década de 60, através da coleção do estúdio fotográfico local Fotografia Fabião (Lara Portela e Nelson Melo) são outras tantas propostas.

Dois trabalhos fecham a coleção: uma reflexão sobre o potencial disruptivo da arte contemporânea, numa leitura psicanalítica (Ana Lúcia Mandelli de Marsillac e Anelise Hauschild Mondardo) que nos faz pensar sobre memórias, traumas e subjectividade; e o ensaio rizomático sobre os paradoxos do arquivo a partir de Ernesto de Sousa e de Almada Negreiros (Francisca José). Como escreve esta autora: “Retornamos a Arkhé, origem e princípio, para começar. Encontramos uma constelação de significados que desconstruímos e destruímos para lhe re-conceptualizarmos os significantes. E começamos”.

 

Acessível em acesso aberto, aqui: https://colecaoicnova.fcsh.unl.pt

 

2021-07-20T13:57:51+00:00