Diversidade e Pluralismo nos Média2018-09-24T15:12:20+00:00

Conferência Internacional sobre Diversidade e Pluralismo nos Média
NOVA FCSH, 28 e 29 de Setembro de 2018

Num mundo cada vez mais complexo e polarizado, o repensar dos temas da diversidade e do pluralismo nos meios de comunicação social é hoje fundamental. Estamos na era da “pós-verdade”, existem riscos óbvios de desinformação, de afastamento dos jovens da participação cívica e política e riscos de homogeneização cultural. Muitas expressões culturais estão mal representadas nos media. Por outro lado, a diversidade constitui parte do nosso património nacional e europeu e é fundamental que seja refletida nos meios de comunicação, muito em particular nos meios audiovisuais, tal como a pluralidade de vozes que moldam o mundo em que vivemos.

Parta debater estes grandes temas, o ICNOVA – Instituto de Comunicação da NOVA e o CIC.Digital da NOVA FCSH, propõe-se organizar uma Conferência Internacional, apelando desde já a uma forte participação da comunidade neste evento, em particular da comunidade académica e científica.

 Organização:

ICNOVA – Instituto de Comunicação da NOVA
CIC.Digital – Pólo NOVA FCSH
Departamento de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH

Local: NOVA FCSH, 28 e 29 de Setembro de 2018

Comissão Científica:

Rui Cádima, Carla Baptista, Marisa Torres da Silva, Luís Oliveira Martins, Isabel Ferin, Estrela Serrano, Arons de Carvalho, Anabela Sousa Lopes, Carla Martins, Cláudia Álvares

Comissão Organizadora:

Patrícia Contreiras, Joana Fernandes, Raquel Lourenço, Patrícia Ascensão e Natália Manso

RESUMOS

Cláudia Galhardi e Maria Cecília de Souza Minayo (Fundação Oswaldo Cruz: Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP): Análise das produções mediáticas: Apontamentos em detrimento à promoção da diversidade cultural na oferta de programação da TV brasileira face à audiência infanto-juvenil

Élmano Ricarte (Doutorando em Ciências da Comunicação, Universidade Católica Portuguesa): O Mundo Mediatizado das Marchas Populares de Lisboa

Inês Branco (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Instituto Politécnico de Leiria): Média e Integração de Imigrantes

Democracia da criação e democratização da receção: a importância da diversidade de linguagens artísticas nas indústrias culturais e criativas
Isabel Garcez
Gabinete de Investigação em Edição Literária em Língua Portuguesa (GIELLP)
Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL)
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – Portugal
isabelgarcez@campus.ul.pt

Palavras-Chave: criação e receção artísticas, indústrias culturais e criativas, mediação cultural

A diversidade cultural estabelece um paralelo interessante com a biodiversidade. Afinal, a extinção de um inseto tem consequências bastante mais abrangentes do que se pensava. Afinal, uma floresta tropical é diferente de uma cultura intensiva de soja, embora em ambos os casos haja plantas. Portanto, não é indiferente que existam mil novos títulos do mesmo género literário ou cem de géneros diferentes. Não é indiferente que uma nova geração de criadores seja constituída por dez ou cem nomes. Não é indiferente que se deixe de pintar, desde que se se faça ilustração. Não é indiferente que se comuniquem ideias em inglês ou em catalão. Não é indiferente que se vejam só filmes de Hollywood, desde que se vá ao cinema.
Em democracia da criação não é indiferente quem cria nem o que cria. Na democratização da receção não é indiferente quem recebe essas criações nem como as recebe. Muito menos é indiferente quem torna públicas essas obras ou o modo como as comunica.
As indústrias culturais e criativas contribuem em muito para o desenvolvimento e a sustentabilidade. A cultura é algo a preservar da mesma forma que os ecossistemas. As expressões artísticas são um recurso inato, abundante e eternamente renovável. Elevar os níveis de literacia estética é também elevar os níveis socioeconómicos e culturais de uma sociedade, principalmente de uma sociedade nativo-digital.

Referências bibliográficas:
Agenda 21 da Cultura. Cidades e governos locais unidos. 2006. www.agenda21culture.net.
Augé, Marc. 2005. Não-Lugares. Introdução a uma antropologia da sobremodernidade. Lisboa: 90º Editora. Trad. Maria Lúcia Pereira.
Adorno, Theodor W. 2003. Sobre a Indústria da Cultura. Coimbra: Angelus Novus. Trad. Artur Morão.
Lipovetsky, Gilles e Serroy, Jean. 2014. O Capitalismo Estético na Era da Globalização. Lisboa: Edições 70. Trad. Luís Filipe Sarmento.
Relatório das Nações Unidas de Economia Criativa 2010: Economia criativa, uma opção de desenvolvimento. 2012. Brasília: Secretaria da Economia Criativa/Minc.; São Paulo: Itaú Cultural.

Os direitos dos animais nas notícias – as vozes e as temáticas de um debate público
Luís Bonixe
IPPortalegre/ICNOVA
luis.bonixe@gmail.com

As temáticas relacionadas com o direito dos animais têm sido objeto de discussão pública nos últimos anos em Portugal. Aos temas já antigos (touradas, lince ibérico, por exemplo), juntam-se a esse debate as recentes alterações legislativas. Primeiro com o novo Estatuto Jurídico dos Animais que os considera como seres dotados de sensibilidade e, mais recentemente, com a lei que cria a possibilidade de os animais de companhia entrarem com os seus donos nos estabelecimentos de restauração.
As questões relacionadas com os direitos dos animais motivam, assim, o interesse jornalístico dos média portugueses que representam um palco para uma discussão plural sobre o modo como convivemos e tratamos dos animais. Nessa discussão mediática participam diversas vozes: movimentos cívicos pró e contra, profissionais de saúde animal, donos de animais, profissionais da justiça, empresários, partidos políticos, entre outros.
Na presente comunicação, fazemos uma análise às notícias publicadas nos média digitais portugueses no primeiro semestre de 2018. O estudo incide na observação dos itens noticiosos que têm como foco noticioso os animais e que têm como âmbito geográfico o território nacional.
A análise consiste na identificação da temática, das vozes e do tratamento jornalístico de acordo com as potencialidades do ciberjornalismo. Os itens noticiosos foram publicados nas versões online do jornal Público, Jornal de Notícias, TSF, TVI e Observador.

Palavras-chave: Direitos dos animais, Ciberjornalismo, Portugal, Notícias

Referências bibliográficas:
Almiron, N (2017) Beyond Anthropocentrism: Critical Animal Studies and the Political Economy of Communication. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/312612952_Beyond_Anthropocentrism_Critical_Animal_Studies_and_the_Political_Economy_of_Communication_
Almiron, N., Cole, M., & Freeman, C. P. (2018). Critical animal and media studies: Expanding the understanding of oppression in communication research, European Journal of Communication, 1 -14.
Freeman, C. P., Bekoff, M. & Bexell, S. (2011). Giving voice to the voiceless: Incorporating nonhuman animal perspectives as journalistic sources. Journalism Studies, 12(5), 590-607.
Kovach, B. & Rosenstiel, T. (2004), Os Elementos do Jornalismo, Porto: Porto Editora.
Molloy, C. (2011). Popular Media and Animals. New York: Palgrave Macmillan Tuchman, G.

Media e deficiência: Um estudo longitudinal de representações na imprensa
Maria João Cunha – CIEG/ISCSP-ULisboa
Paula Pinto – CIEG/ISCSP-ULisboa
Carla Cruz– CAPP/ISCSP-ULisboa

Nesta comunicação apresentam-se e discutem-se os resultados de um estudo longitudinal sobre representações mediáticas da deficiência e das pessoas com deficiência. Este trabalho apresenta duas fases: a primeira teve início com o projeto “Disability Rights Promotion International” (DRPI), que desenvolveu análise ao conteúdo dos três meios informativos impressos com maior circulação em Portugal, entre 2009 e 2013 e continua numa segunda fase com o projecto “As representações mediáticas de públicos sensíveis” do CAPP/ISCSP, com a análise das notícias alargada aos principais meios impressos informativos portugueses, desde 2014.
Esta análise inclui variáveis bibliográficas, relacionadas com as notícias (número de itens, secção do jornal, enfatização, tipo de notícia, existência de ilustração, dimensão das notícias e proeminência da deficiência nas notícias), variáveis relacionadas com a deficiência e com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e variáveis relacionadas com os modelos de enquadramento das notícias.
As implicações destes resultados são discutidas como uma dimensão central para compreender a actual situação de direitos humanos das pessoas com deficiência em Portugal.

Palavras chave: Representações mediáticas, Deficiência, Direitos Humanos, estudo longitudinal, análise de conteúdo

Referências:
Cunha, Maria João e Pinto, Paula (2017), “Representações mediáticas da deficiência: um estudo longitudinal na imprensa”, Sociologia, Problemas e Práticas, 85, pp. 131-147
Enriquez, Matilde (2010), “Medios de Comunicación, conformación de imagen y construcción de sentido en relación a la discapacidad: Mass Media, Image conformation and Sense construction due to disability”, Política y Sociedad, 47.1, pp 105-113, 242-243;
Haller, Beth (2010), Representing Disability in na Ableist World. Essays on Mass Media, Louisville,KY, The Advocato Press;
Wilkinson, Penny e McGill, Peter (2008), “Representation of People with Intellectual Disabilities in a British Newspaper in 1983 and 2001”, Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,Vol. 22, pp: 65–76
Neca, Patrícia (2012), Representações das pessoas com deficiência na imprensa portuguesa. O caso do Público, Diário de Notícias e Jornal de Notícias, Lisboa, Instituto Universitário de Lisboa.

Dialogias da (in)diferença cotidiana na série Merlí: aproximações entre imaginário trágico, diversidade e educação
Mateus Moisés Gonçalves Pereira
mateus.moises.pereira@usp.br
Universidade de São Paulo

O texto apresenta o imaginário trágico na série catalã Merlí, articulando episódios de sua primeira temporada. Ancora-se na filosofia trágica de Clément Rosset e na antropologia do imaginário de Gilbert Durand, apreendendo de maneira transdisciplinar as dialogias entre diferença e indiferença ante as contradições e vicissitudes da vida expressas na linguagem audiovisual. Ampara-se metodologicamente na fenomenologia compreensiva de Michel Maffesoli. A performance do professor Merlí opera para além da sala de aula e do ambiente escolar tocando a diversidade de modos de existência manifestos nas relações sociais e familiares. As assimetrias culturais se expressam nas diferentes maneiras de ver a vida sustentadas pelos personagens que compõem a trama. Pretende-se apresentar as ironias do cotidiano, a transitoriedade e a singularidade da vida, a contingência da morte e a ética da ocasião como traços marcantes da narrativa. Tais aspectos ressaltam o caráter trágico desta série e de seu protagonista, possibilitando uma educação para a (in)diferença atuando no acolhimento da diversidade e no riso diante da finitude e da passagem do tempo.

Palavras-chave: Merlí. Imaginário. Trágico. Diversidade. Educação

Referências
Almeida, R., Beccari, M. (Orgs.). (2017). Fluxos Culturais: arte, educação, comunicação e mídias. (1a ed.). São Paulo: Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Durand, G. (2012). As estruturas antropológicas do imaginário: introdução a arquetipologia geral (H. Godinho, Trad.). (4a ed.). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes.
Lozano, H., Montánchez, A., Orea, C., Jiménez, S. & Sala-Patau, O. (Produtores) & Cortés, E., & Fité, M. (Diretores). (2015). Merlí [série de televisão]. Barcelona: TV3.Maffesoli, M. (1998). Elogio da razão sensível (A. C. M. Stuckenbruck, Trad.). (1a ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.
Rosset, C. (1989). Lógica do pior (F. J. F. Ribeiro & I. Bentes, Trad.). (1a ed.). Rio de Janeiro: Espaço e Tempo.

Rádio Musical Privada em Portugal e Espanha: que diversidade na promoção da cultura?
Rita Curvelo
Doutoranda em Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

O meio rádio foi sempre considerado um bom veículo de divulgação de iniciativas culturais, associando-se, muitas vezes, através de apoios institucionais a grandes eventos, sejam eles peças teatrais, filmes, concertos, festivais ou lançamentos de livros e discos.
Sendo a partilha da agenda cultural mais comum nas rádios de tipo generalista ou de formato informativo, que investimento em termos de tempo de antena farão as rádios musicais na promoção da cultura? E de que forma comunicam e estão presentes nestes eventos? Se é certo que, atualmente se verifica nestas estações uma tendência generalizada para a promoção de música e de concertos de artistas predominantemente anglo-saxónicos ou que, não o sendo, optam por se expressar em inglês, será que Portugal e Espanha, países geograficamente muito próximos, seguem esta mesma inclinação? E quais serão as grandes diferenças na forma como apoiam a cultura nacional?
Através da análise de duas semanas de audição dos programas da manhã  das duas rádios musicais mais ouvidas em Portugal e Espanha – Manhãs da Comercial e Anda Ya, da estação Los 40 Principales – irá proceder-se a um estudo comparativo sobre o peso que cada uma das emissões, transmitidas em estações de rádio privadas, atribui à divulgação cultural de acontecimentos do seu país, nomeadamente que valor dão à produção e artistas nacionais, de modo a poder aferir-se se existe uma verdadeira promoção da diversidade cultural em rádios privadas de formato musical.

Palavras-chave: rádio, música, promoção, cultura e diversidade

BIBLIOGRAFIA:
Berland, Jody (1990). «Radio space and industrial time: Music formats, local narratives and technical mediation», Popular Music, 9, 179-192.
Cordeiro, Paula (2010). A Rádio e as Indústrias Culturais. Estratégias de Programação na transição para o digital. Lisboa: Livros Horizonte.
Frith, Simon (1988). Music for pleasure. Nova Iorque: Routledge
Kischinhevsky, Marcelo (2011). «Por uma economia política do rádio musical – articulações entre as indústrias da música e da radiodifusão sonora», MATRIZes,  nº.1: 247-258.
Negus, Keith (2002). «The work of cultural intermediaries and the enduring distance between production and consumption», Cultural studies, 16 (4): 501-515.

A metonimização da imigrante brasileira nas reportagens sobre prostituição
Ester Amaral de Paula Minga
Doutoranda em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa.
ester.minga@gmail.com

A erupção do caso “Mães de Bragança” em 2003, sobre o abaixo-assinado feito por algumas mulheres desta cidade do Norte de Portugal e entregue às autoridades locais com o objetivo de expulsar prostitutas brasileiras por, supostamente, seduzirem os seus maridos, teve como primeira consequência a sua intensa cobertura mediática, em que se identificou a predominância de um discurso sensacionalista, de cariz xenófobo e permeado de estereótipos acerca das mulheres brasileiras (Correia, 2014). Com o objetivo de averiguarmos as consequências deste perfil de cobertura nas representações subsequentes dos temas “prostituição” e “imigrantes brasileiras”, analisamos material publicado pelo Público – jornal tido de referência no país – acerca da temática dentre os anos de 2010 a 2015 (portanto, um tanto já afastado temporalmente da polémica). Identificamos três reportagens, uma de 2010 e duas de 2013, com os quais procuramos demonstrar, a partir do emprego da análise crítica do discurso, o que denominamos de processo de metonimização da figura da brasileira em prostituta, cuja excessiva lexicalização no âmbito do discurso favorece determinado viés interpretativo sobre o fenómeno da prostituição em Portugal: como atividade exercida apenas por brasileiras.

Palavras-chave: imigrantes brasileiras, prostituição, discurso jornalístico.

Referências
Correia, C. J. (2014). Dez anos depois de Bragança, a representação da mulher brasileira nos media. In: Verso e Reverso, XXVIII. N. 69. P. 186-192.
Dijk, V. A. T. (2005). Discurso, Notícia e Ideologia. Estudos na Análise Crítica do Discurso. Porto: Campo das Letras.
Pais, M. J. (2010). “Mães de Bragança” e Feitiços: Enredos Luso-Brasileiros em Torno da Sexualidade. In: Revista de Ciências Sociais. V. 41. N. 2. P. 9-23.
Pan, Z.; Kosicki, M. G. (1993). Framing analysis: An Approach to News Discourse. In: Political Communication. V. 10. P. 55-75.
Padilla, B. (2007). A imigrante brasileira em Portugal: considerando o género na análise. In: Malheiros, M. J. (Org.). Imigração brasileira em Portugal. Lisboa: Alto Comissariado para Imigração e Diálogo Intercultural – ACIDI. P. 113-134.
Juliana Alcantara: Vamos brincar de índio? Análise da representação indígena no Carnaval de rua pelos média brasileiros

Favelados e cidadãos: o discurso audiovisual dos media alternativos sobre as favelas
Kamila Bossato Fernandes
CECS, UMinho 

kamila.fernandes@gmail.com

Grupos sociais marginalizados no Brasil são muitas vezes sub-representados e estigmatizados pelos media do mainstream (Gondim, 1982), o que contribui para aprofundar as desigualdades sociais. Por outro lado, iniciativas de media alternativos potencialmente têm um papel relevante ao desafiar essa realidade, adotando um discurso contra-hegemónico que dá visibilidade aos grupos subalternos (Rodriguez, 2001). Mas que sentidos são construídos por esses discursos contra-hegemónicos? Que valores são acentuados ou suprimidos neste tipo de comunicação alternativa, tanto em relação aos atores e grupos marginalizados, como aos detentores do poder? Neste paper, proponho refletir sobre os discursos produzidos por dois grupos de media alternativos brasileiros que atuam em favelas, para identificar as estratégias discursivas presentes no conteúdo audiovisual que produzem. O objetivo é problematizar se este tipo de comunicação contribui para pluralizar a esfera mediática, como proposto por Maeseele e Raeijmaekers (2017), a partir da teoria de Mouffe de democracia radical (2000), para gerar transformações sociais. A análise tem como foco as visualidades, de modo a identificar posições de sujeitos e sinais de antagonismos, contingências e processos de identificação, o que aproxima a teoria do discurso (Laclau & Mouffe, 1987) da análise semiótica multimodal (Machin & Mayr, 2012). Entre as conclusões, é evidenciado que ambos os grupos buscam contrapor o estigma do “favelado”, atribuindo um protagonismo e um papel cidadão aos moradores das favelas.

Palavras-chave: media alternativos, teoria do discurso, análise multimodal, favelas

Referências Bibliográficas
Gondim, L. M. (1982). A manipulação do estigma de favelado na política habitacional do Rio de Janeiro. Revista de Ciências Sociais, 13(2), 27-44.
Laclau, E., & Mouffe, C. (1987). Hegemonía y estrategia socialista – Hacia una radicalización de la democracia. In.
Machin, D., & Mayr, A. (2012). How to do Critical Discourse Analysis – A multimodal introduction. Los Angeles, London, New Delhi: Sage.
Maeseele, P., & Raeijmaekers, D. (2017). Nothing on the news but the establishment blues? Toward a framework of depoliticization and agonistic media pluralism. Journalism, 1-18. doi:https://doi.org/10.1177/1464884917739476
Rodriguez, C. (2001). Fissures in the Mediascape: An International Study of Citizens’ Media: Hampton Press.

Pluralismo nos media: as vozes da web no telejornalismo da TVI
Marina Magalhães  – Professora da Universidade Lusófona do Porto e investigadora do ICNOVA. marinamagalhaes@msn.com
Roberta Matias Azevedo – Doutoranda em Ciências da Comunicação pelo Instituto Universitário de Lisboa –ISCTE. robertamatias10@hotmail.com

As paisagens pós-urbanas que se desenham no mundo contemporâneo, atravessadas por redes formadas por elementos humanos e não humanos digitalmente conectados, são marcadas pela emergência de novas formas comunicativas de habitar. Com o advento do Big Data, dos algoritmos e da Internet das Coisas, o modelo comunicativo das gerações anteriores (bidirecional e piramidal), nomeadamente dos media de massa, foi desafiado pelo advento do modelo rizomático trazido pela internet, sobretudo em sua fase mais recente, das redes sociais digitais. Logo, a lógica da agenda setting vem sendo substituída pela da agenda building, por meio da qual os ditos utilizadores, cibercidadãos ou coprodutores ajudam a pautar a cobertura mediática dos meios tradicionais, através de publicações postadas em seus perfis nas redes sociais digitais ou da colaboração direta por meio de envio de materiais. Por um lado, é interessante observarmos como esses conteúdos produzidos com tecnologias móveis digitais e pelo cidadão comum acabam por ganhar valor dentro das redações e passam a fazer parte do telejornal. Por outro lado, na dita nova esfera pública digital, com o aumento exponencial da velocidade, do alcance de propagação da informação compartilhada e da presença de notícias falsas (fake news) nesse ambiente, se faz necessário tratar sobre os riscos que os medias correm ao utilizar tais conteúdos nessa era marcada também pela pós-verdade. Diante do cenário atual, propomos direcionar um olhar sobre a questão da abertura dos media tradicionais portugueses à pluralidade de vozes da web, a começar pela observação da participação dos utilizadores no Jornal das 8 veiculado pela TVI.

Palavras-chave: redes sociais digitais; jornalismo; coprodutores; mediatização; fake news

Referências
Di Felice, Massimo. (2010). “Mídias Nativas: as manipulações tecnológicas do mundo e o fim dos pontos de vista centrais”. In C. Álvares e M. J. Damásio (Orgs.). Teorias e práticas dos media: situando o local no global (pp. 87-105). Lisboa: Edições Universitárias Lusófonas.
Fausto Neto, Antonio & Sgorla, Fabiane. (2013). “Zona em Construção: acesso e mobilidade da recepção na ambiência jornalística”. XXII Encontro Anual da Compós. (Online). UFBA – Salvador – Brasil.http://compos.org.br/data/biblioteca_2110.pdf  Consultado em 01 set. 2018.
Hjavard, Stig (2015). “Da Mediação à Midiatização: a institucionalização das novas mídias”. Revista Científica de Comunicação Social da FIAM-FAAM (pp. 51-62) (online). Tradução: Lívia Silva de Souza. Disponível em https://curis.ku.dk/ws/files/143085103/Da_Media_o_a_Midiatizacao_a_institucionalizacao_das_novas_midias_Hjarvard_Paragrafo_Journal.pdf. Consultado em 30 jul. 2018.
Mayer-Schönberger, Viktor & Cukier, Kenneth. (2013). Big Data: A Revolution That Will Transform How We Live, Work and Think. London: John Murray.
Santaella, Lucia. (2018). “A educação como antídoto às fake news”. Revista E Online, 31-07-2018. Disponível em https://www.sescsp.org.br/online/artigo/12329_FAKE+NEWS+NEM+VERDADEIRAS+NEM+FALSAS. Consultado em 11 set. 2018.

Patrícia Ascensão (Doutoranda em Ciências da Comunicação/ICNOVA/NOVA FCSH): As “vozes” na informação noticiosa e o pluralismo no serviço público de televisão através da análise dos protagonistas das notícias no “Telejornal” da RTP

Raquel Lourenço e Joana Fernandes (ICNOVA/NOVA FCSH): Televisão pública, sociedade e pluralidade de expressões culturais.

Sónia Lamy (Instituto Politécnico de Portalegre/ICNOVA): Caminhos para uma maior diversidade nos média – Ecos da sociedade civil organizada nas notícias

Quando a novidade política assusta os media – a formação da “geringonça” nos jornais
Susana Barros
Doutoranda em Ciências da Comunicação no ISCTE-IUL
susana_barros@iscte-iul.pt

Das eleições legislativas de 2015 resultou um Governo inédito em Portugal, depois de negociações partidárias intensas que dominaram o campo político e jornalístico. Pela primeira vez, um partido derrotado nas urnas – PS – conseguiu formar uma maioria de esquerda – com BE, PCP e PEV – travando no Parlamento o executivo composto pela coligação que vencera as eleições – PSD e CDS. Apesar de constitucionalmente consagrada, a novidade política foi recebida pelos media com desconfiança e revolta. A isto não será alheia a forma como antes os media integraram no seu discurso o   programa de austeridade levado a cabo pelo Governo PSD-CDS, na sequência da intervenção da Troika (FMI, BCE, CE),  em 2011, entendido como necessário para melhorar a situação do país (Sousa e Santos, 2014). A legitimação da austeridade foi, de resto, uma tendência europeia  com  os media a apontarem uma resposta única sem espaço para qualquer política alternativa (Basu, Schifferes and Knowles, 2018). É sobre o prolongamento deste consenso mediático acerca da formação de uma solução política diferente que incide esta comunicação em que pretendemos apresentar a nossa pesquisa sobre a narrativa jornalística sobre a formação do Governo de esquerda. Inserida numa investigação mais ampla sobre o jornalismo político e o relacionamento entre jornalistas e fontes na construção noticiosa da “geringonça”, esta análise centra-se nos títulos das primeiras páginas e nos editoriais  do Diário de Notícias, Publico, Correio da Manhã e Observador, entre as eleições de 4 de Outubro e a aprovação do programa de Governo a 3 de Dezembro de 2015. Além da caraterização da abordagem mediática, discute-se a sua implicação no debate democrático.

Keywords: jornalismo político, media e democracia, framing, governo de esquerda

Bibliografia:
Basu, Laura, Schifferes, Steve & Knowles, Sophie (2018), The media and austerity – comparative perspectives, London, Routledge
Eilders, Christiane (1997), The Impact of Editorial Content on the Political Agenda in Germany: Theoretical Assumptions and Open Questions Regarding a Neglected Subject in Mass Communication Research, Discussion Paper FS III 97-102, Wissenschaftszentrum Berlin
Entman, Robert M. (2007),  “Framing Bias: Media in the Distribution of  Power”, Journal of Communication, 57 (163-173)
Serrano, Estrela (2006), “A dimensão política do jornalismo”, Comunicação & Cultura, 2 (63-81)
Sousa, Helena & Luis António Santos (2014), “Portugal at the eye of the storm: Crisis, Austerity and the Media” , Javnost – The Public , 21: 4 (47-61)